terça-feira, 28 de fevereiro de 2012






Todos os jardins deviam ser fechados,
com altos muros de um cinza muito pálido,
onde uma fonte
pudesse cantar
sozinha
entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência
nem o abandono...
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por eles passa indiferente.

Mário Quintana

sábado, 25 de fevereiro de 2012





Há um grande silêncio que está à escuta...

E a gente se põe a dizer inquietamente qualquer coisa,
qualquer coisa, seja o que for,
desde a corriqueira dúvida sobre se chove ou não chove hoje
até a tua dúvida metafísica, Hamleto!

E, por todo o sempre, enquanto a gente fala, fala, fala
o silêncio escuta...
e cala.

Mário Quintana
In: Esconderijos do Tempo
Foto: Rui Andrade

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Saudade



Saudade ausência doida
Ausência que dói e maltrata

Saudade do que não volta... dor que não mais para.
Saudade do tempo que não retorna.
Quisera eu parar o tempo, no tempo em que fui feliz.
Saudade não me maltrata...
....e  retorna para tempo de Eu feliz.

.....

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Mário Quintana  é um dos maiores nomes da literatura brasileira.



Nascido há 106 anos no Rio Grande do Sul, Mario Quintana iniciou sua carreira como tradutor, escritor e jornalista.

Devido a seu trabalho como tradutor pudemos conhecer parte da literatura universal traduzindo autores consagrados como Virginia Woolf e Voltaire.

Em 1939 teve a felicidade de ter um livro encomendado por Monteiro Lobato, além dele Mário Quintana tinha vários admiradores: Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira. 

Apesar disso, não conseguiu uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

Mas, esse fato não o abalou, pelo contrário, foi por causa disso que ele escreveu o famoso Poeminho do Contra:

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Dia 09 de Fevereiro dia do Frevo


Desligar o som de fundo no play list


O carnaval recifense possui uma música e uma dança carnavalesca própria e original, nascida do povo. De origem urbana, surgiu nas ruas do Recife nos fins do século XIX e começo do século XX. 

 O frevo nasceu das marchas, maxixes e dobrados; as bandas militares do século passado teriam dado sua contribuição na formação do frevo, bem como as quadrilhas de origem europeia. 

Deduz-se que a música apoiou-se desde o início nas fanfarras constituídas por instrumentos de metal, pela velha tradição bandística do povo pernambucano. O ritmo é bastante animado e famoso até hoje em todo Brasil.  

A palavra frevo vem de ferver, uma vez que, o estilo de dança faz parecer que abaixo dos pés das pessoas exista uma superfície com água fervendo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

 Osvaldo Montenegro


Chico Buarque/ Osvaldo Montenegro

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado t